PASTORAL DA ACOLHIDA

O pároco Pe. Frei Egisto Cansian promoveu uma palestra sobre a Pastoral da Acolhida para os paroquianos, especialmente as lideranças da Paróquia. O tema escolhido foi a Pastoral da Acolhida, abordado pelo professor de Teologia do Pio XI, PUC e Claretianos, Fernando Althemeyer Júnior.

A abertura às 9h30 do dia 16 de março foi feita pelo pároco frei Egisto acolhendo o palestrante e os 40 participantes com a oração do Creio, por ser o Ano da Fé.

Com linguagem simples e popular e usando em alguns momentos alguns slides ilustrando a temática, o palestrante em meios a algumas piadas e risos soube aprofundar a temática de tanta importância para a Igreja.

Embora não pude anotar tudo, eis o que consegui escrever sobre o que de mais importante foi salientado na palestra:

A acolhida é a essência do Cristianismo, pois fomos acolhidos por Deus em primeiro lugar.

A acolhida começa pelo gesto simples de “bom dia”; recordou o exemplo do Papa Francisco na sua primeira apresentação oficial ao povo na praça do Vaticano. É preciso que a gente saiba quem é quem, quais suas raízes, por exemplo pergunte à pessoa do seu lado qual o nome da mãe dela, onde ela nasceu...

Acolhida não é uma técnica, mas sim um modo de ser. É preciso estar de bem com a vida, criar um clima apropriado, bem familiar, se sentir em casa.  A secretária é a porta de visita da Igreja( saber dialogar, perguntar, responder, acolher). Mas todas as pastorais têm a ver com a acolhida. Todos têm que ser acolhidos na Igreja, assim como na família, pois não basta apenas a mãe ou o pai acolher, mas também os filhos têm que acolher...

A arquitetura é importante, assim como ter rampas, etc mas não é o mais importante....É preciso conhecer as pessoas, de onde elas vieram, quem elas são, pois a Igreja é uma Comunidade e não uma ONG( o próprio Papa disse isso a alguns dias...).

Não se faz pastoral da acolhida como marketing, pois não é marketing. Cada um deve ser recebido como se recebe Jesus Cristo. O outro é o Cristo para mim(Santo Agostinho). Sou contra um grupo de pastoral da acolhida, todas as pastorais têm que acolher...Cada um que chega às nossas Igrejas precisam se sentir amados...Tem que padre que no final da missa chama quem veio pela primeira vez na missa daquela Igreja, porém, deveria chamar no início da Missa...todo domingo deve ter gente que veio pela primeira vez...o povo brasileiro adora cafuné, adora ser carinhoso.

A amizade é muito importante. Veja o exemplo de Dom Cláudio Hummes que após a eleição do novo papa, por ser amigo de Dom Mário Jorge, sussurra nos ouvidos dele: “não esqueça dos pobres...”Daí ter escolhido o nome de Francisco...A acolhida é a primeira coisa na amizade. Lembro da mãe do Tiago assassinado nesta semana dizendo que ela ensinou o filho a amar e ser amado e por isso o jovem ajudava lavar pessoas doentes... O sinal da cristão é amizade, amor.

A Pastoral da Acolhida é algo muito profundo. Todas as pessoas são de suma importância. Acolher significa ser receptivo. Receber o outro implica a arte de escutar e isso também é o que o Papa está fazendo... Acolher a vida das pessoas. Eu gosto muito do gesto das mãos entrelaçadas... Ouvir as pessoas. Na Bíblia encontramos várias passagens de encontros e acolhidas de Jesus: Zaqueu, mulher samaritana, Lázaro, Pôncio Pilatos, Nicodemos, mulher adúltera, cego de nascença... “Quem vos recebe a mim recebe”.

Atitudes práticas: chegar antes do início da Missa, orar por todos e pela celebração; acolher a todos com alegria, com amizade e simpatia. Dar especial atenção aos idosos, enfermos, grávidas, portadores de deficiência, crianças. Chamar as crianças à frente, mostrar que elas também são importantes na Igreja. Cuidar bem das crianças na Comunidade.

O amor de Deus é preferencial. Os que não são amados na sociedade, Deus ama mais do que a gente... O problema é como acolher, por exemplo, pessoas embriagadas, drogadas...

Quantos leigos têm a Paróquia? Já foi perguntado ao leigo o que ele quer ou pode fazer na Comunidade? Nem que seja ser um ponto de contato com as pessoas que queiram trabalhar na Igreja, ser um ponto de contato para uma visita do sacerdote ou seminarista, porque nem sempre as normas de prédio deixam os agentes pastorais entrar nos prédios...

Incentivar conversas para que as pessoas se conheçam. Quem acolhe deve saber ouvir e guardar segredo. Daí evitar fofocas sobre a vida alheia; baixa estima. Para trabalhar em grupo evitar o autoritarismo e individualismo (Tem muito disso na Igreja...), Machismo, sobretudo de alguns padres, sobretudo os mais jovens...Há párocos jovens que ao assumir o cargo de pároco de início já dizem: “Aqui quem manda sou eu!”. Quem manda na Igreja é Jesus Cristo. Precisamos de adultos na Fé. A Pastoral da Acolhida deve ajudar a todos a viver colegialmente.

É claro que é preciso ter uma certa organização. Por exemplo, seguir as escalas de Celebração durante a semana e domingos.

Vou indicar algumas citações bíblicas: Mc 10,45; Jo 13,13-17; Jo 15,15-17; Tg 2,1-4.

Uma das passagens de que mais me tocam é esta que está no Evangelho de Lucas, capítulo 7, versículos 36-50, que narra encontro da “mulher que muito amou”, aquela mulher que lava os pés de Jesus com suas lágrimas e as enxuga com seus cabelos... Ela pecou, mas arrependida mostrou todo seu amor a Jesus e Jesus a acolheu, mesmo sabendo que era uma grande pecadora; Jesus a acolheu e ela também demonstrou o grande amor a Jesus por causa da sua misericórdia....

Precisamos de uma Igreja pobre e ela será restaurada? É o que esperamos com o Papa Francisco por todo seu despojamento demonstrado até agora e inspirado pelo exemplo de Jesus de Nazaré e São Francisco de Assis e São Francisco Xavier.

Todos temos que aprender a acolher. Às vezes os filhos ensinam os pais, às vezes o marido tem que ouvir a mulher e vice-versa. É preciso ter olhos terapêuticos, isto é, tentar enxergar o rosto do outro. Eu preciso tentar viver a minha vida como professor, isto é, amando as crianças, os alunos. O padre é um condutor, é um animador.

Como acolher na Missa? – Entre que a casa é sua; sinta-se à vontade. Prestar atenção nas pessoas que vêm à Missa. Por exemplo, se for uma missa no horário que a presença dos jovens é uma constante, use a música porque os jovens gostam muito de música, contudo, lembre-se Missa não é show... O jovem precisa saber e sentir-se amado.

A presença de fiéis nas missas na capital paulista é de apenas 4% e no interior é de 10%.

Todos precisam acolher. A começar pelo Padre. O padre é homem das relações, o padre não é a síntese dos Ministérios e sim o ministério da síntese!  O padre é um pontífice. Padre é para cuidar das almas das pessoas.

Estou sendo acolhedor? O poder é serviço. O Bispo da Região Episcopal Lapa Dom Júlio Endi Akamine quando assumiu o Ministério de Bispo citando Santo Agostinho disse: “Para vós eu sou Bispo, para Deus eu sou cristão”.

Em quanto Comunidade devemos nos preocupar com a aqueles que estão chegando, mas quem chega observa como a gente está vivendo como ser cristão (depoimento de uma participante).

É preciso exercitar-se com o meu próximo. Às vezes a nossa crítica implica essa falta de acolhida. Como praticar isso? Começar aqui dentro da Comunidade. A Igreja toda tem que se comportar como uma família aberta, com grande alegria, feliz, com problemas, etc.

O Templo com a Cruz, com uma torre são símbolos na cidade, mas os pobres são também presenças, muitas vezes, esquecidas por causa de preconceitos até pela Comunidade religiosa e não apenas a sociedade... Como acolher os pobres, os presidiários(e nesta paróquia existem tanto um com o outro...)Infelizmente, nem todos os meios de comunicação acolhem-nos como deveriam. O próprio Datena mesmo é grotesco em relação aos pobres.

É preciso colocar as pessoas como prioridade. Por que é difícil fazer isso? Porque a cidade está doente.

O que fazer para trazer mais pessoas para a paróquia?

Um participante disse que a Paróquia é tradicional e isso tem aspectos positivos como por exemplo  os eventos, tais como quermesse, procissões(sexta-feira santa), almoços, festa junina atraem muitas pessoas, mas nos demais domingos e semanas do ano a presença às Missas é muito pequena e as pessoas que participam das pastorais são poucas...

O palestrante respondeu que é preciso fazer visita missionária, ou seja, trabalhar o aspecto de missionariedade da Igreja... A nossa meta hoje é achar lideranças porque os líderes trazem outras pessoas. Não tem Igreja sem leigos.

O professor Fernando Althemeyer terminou pedindo a Nossa Senhora que animasse a todos, principalmente os jovens, adolescentes e crianças, sem esquecer dos adultos também, mas ter a prioridade nos jovens pois eles são o futuro e a esperança da Igreja.

No encerramento da manhã, o pároco Frei Egisto agradeceu ao palestrante e encerrou a abençoada manhã de sábado com a riqueza dos ensinamentos apresentados pelo professor de Teologia Fernando Althemeyer Júnior.