ARTIGO: A JUSTIÇA HUMANA

Por: Cônego Edmilson Januário da Silva CLR

A justiça social é uma construção moral e política baseada na igualdade de direitos e na solidariedade coletiva. Ela vista em íntima relação com o alicerce econômico e o social.

O ser humano e a sua capacidade de racionalizar a sua realidade social e buscar soluções para os problemas que a sua própria existência traz, utiliza da sua capacidade que o torna único e ao mesmo tempo o mais complexo de todos os seres, a razão.

Hoje, diante da realidade social que vivemos de inseguranças e incertezas, onde a fronteira entre o que é moralmente correto ou incorreto não pode ser avistada com clareza, talvez seja o momento de repensar sobre a razão e como esta deve ser aplicada às questões que a sociedade enfrenta.

É chegada à hora de perceber que “ser humano” é chamado a compreender e solucionar problemas tão simplesmente humanos e, entender que a razão humana não deve nos afastar da qualidade humana que a nós é inerente, mas ser tão somente uma entre as tantas perspectivas que devem ser analisadas quando se constrói ou se aplica uma lei.

Emerge na sociedade atual a necessidade de uma nova moral, mas não uma simples mudança de princípios e normas morais, pois estes mudaram com o decorrer do tempo e da história e ainda assim não podemos dizer que as substituições morais avançaram ou estão em um nível superior.

Não se pode afirmar que o progresso moral acompanha o progresso histórico que o homem foi capaz de produzir. Apesar do progresso histórico ter criado condições necessárias para o progresso moral, ao mesmo tempo afetou de maneira não propriamente positiva à sociedade do ponto de vista moral, pois não podemos afirmar que a sociedade está rumo a uma direção moralmente boa.

Necessitamos mais que do que a razão para solucionar os problemas morais do nosso tempo. Precisamos sim, de uma reconstrução de valores humanos, que associados às evoluções que o campo da ciência produz, contribuam para que as relações sociais sejam harmoniosas e pacíficas, recuperando assim, a capacidade de viver em coletividade e em prol de um bem-estar comum.

Neste processo, devemos atentar ainda para a extrema importância de estabelecer normas jurídicas que estejam para além do mero formalismo, que atue em simbiose com a realidade socioeconômica da sociedade e que correspondam aos anseios sociais de justiça, de equilíbrio socioeconômico e de dignidade.